AvMakers

O documentário clássico

Confira as diferenças entre o cinema ficcional e o documentário, além de aprender as diferenças básicas entre o documentário clássico e o moderno.

Rafael Alessandro 6 anos atrás

O documentário como conceito dentro do cinema surge no final dos anos 1920 com uma conotação representacional - um material que comprova que determinado fato realmente aconteceu. Apesar de ser considerado por muitos como um gênero cinematográfico, ele não é constituído por convenções de gênero - que compõem essa categorização dentro da teoria cinematográfica.

Sua principal reivindicação, como aponta Francisco Teixeira em Documentário Moderno, era “como conhecer, formar, educar com os meios postos à disposição pelo cinema”, encontrando, então, uma alternativa a um cinema que havia herdado esses procedimentos do teatro e da literatura.

É a partir dessa diferenciação de procedimentos que surge a cisão entre o que hoje conhecemos por cinema ficcional e cinema documentário. Mas apesar de suas diferenças, ambos possuem um “ideal de verdade”: “a verdade como revelação de algo imerso na espessura, opaca ou transparente, do mundo, e a que se tinha acesso, fosse por meio de uma parafernália de artifícios do cinema ficcional, fosse pela visão límpida e direta do cinema documental” (Teixeira).

David Bordwell e Kristin Thompson, em A arte do cinema: Uma introdução, defendem que apesar de se colocar no mundo como um material que apresenta informações fatuais, o documentário pode fazer isso de maneiras tão diversas quanto a ficção - recorrendo, inclusive, à encenação, que é tão cara ao cinema ficcional.

Quanto as formas argumentativas na construção de um documentário, temos um artigo no blog específico para isso - abordando a forma categórica e a forma teórica. Já tratamos, inclusive, das questões éticas do documentarismo. Mas quais são os principais diretores do cinema documentário clássico e quais foram suas propostas?


O documentário clássico era visto até o final dos anos 50 apenas como uma mera oposição ao cinema ficcional. Mas para além dessa recusa à ficção, esse documentário se subdividiu entre o documentário (etnográfico) e a reportagem (investigação). Com alguns propósitos semelhantes, eles seriam capazes de nos fazer ver personagens e situações, e ainda nos fazer ver a partir desses personagens ou dessas situações, cada um com uma abordagem diferente.

Mas antes disso, Robert Flaherty, em seu método de observação participante, ao registrar a vida de uma família esquimó em Nonook, o esquimó (1922), inaugurou o que hoje tratamos como a relação do documentarista com o outro: “primeiro exótico/distante, depois familiar/próximo” (Teixeira).

Em um gesto antropológico, ele foi a campo e realizou contato direto com seus personagens. Mas isso não livrou seu filme de estratégias ficcionais, como o uso de uma atriz para interpretar a esposa de Nanook, a construção dramática de cenas - como a caça à foca - ou até mesmo o uso de cenários artificiais - como quando Flaherty substitui um iglu por sua metade, para privilegiar a iluminação do espaço.


No mesmo período, ainda dentro do que classificamos como documentário clássico, Dziga Vertov propunha, como aponta Teixeira, “que a câmera não era apenas um olho exteriorizado, objetivado, o que lhe daria um poder de simples reprodução, mas que ultrapassava em muito o olho humano em suas funções perceptiva e cognoscitiva”.

Diferente de Flaherty, com o seu cinema-verdade, Vertov buscou a não roteirização e não encenação, evitando ao máximo que sua câmera interferisse no “improviso da vida” que ele se propunha a registrar.

Seu cine-olho pretendia “não ‘filmar a vida de surpresa’, só pela ‘surpresa’, mas para mostrar as pessoas sem máscaras, sem maquiagem, para pegá-las através do olho da câmera num momento em que não estivessem atuando, para ler seus pensamentos, despidos pela câmera” (Vertov).

Rompendo com as estruturas teatrais e literárias transpostas para o cinema, ele buscava uma libertação dessas formas narrativas que “prejudicavam o potencial do cinema de ajudar a construir uma nova realidade visual e, com ela, uma nova realidade social” (Nichols).


Referências

Livros: A arte do cinema: Uma introdução, de David Bordwell e Kristin Thompson História do cinema mundial, de Fernando Mascarello Introdução ao documentário, de Bill Nichols

Filmes: Nonook, o esquimó (1922), dirigido por Robert Flaherty Um homem com uma câmera (1928), dirigido por Dziga Vertov

Artigos relacionados

Um ano de acesso total para você viver de audiovisual

Todos os cursos e formações da AvMakers numa única assinatura, com professores que vivem de set, suporte direto e certificados. Do primeiro take ao mercado.

  • 1 ano de acesso a todos os cursos
  • Cursos novos toda semana
  • Suporte direto com professores
  • Plano de carreira personalizado
  • Certificados digitais inclusos
  • Aplicativos para Android e iOS, com acesso offline

Garantia incondicional de satisfação

Teste por 7 dias e, se não fizer sentido para você, devolvemos seu dinheiro.

Acesso completo aos mais de 200 cursos e dezenas de Formações.

12 meses

Economize R$ 600,00 25% OFF

de 12x R$ 199,00 por apenas

12x R$ 149,00

sem juros no cartão de crédito ou R$ 1.599,00 à vista

Oferta termina em 17h 08min 31s

Quero assinar
  • 7 dias de garantia incondicional de satisfação
  • Acesso imediato após o pagamento

12x R$ 149,00 sem juros · 7 dias de garantia

Assinar