Por trás das câmeras: grandes mulheres do cinema

Elas superaram as dificuldades abordadas em nosso artigo anterior – sobre o sexismo no cinema – e merecem o reconhecimento por seus trabalhos por trás das câmeras. No Dia Internacional da Mulher, o TreinaWeb preparou uma lista de diretoras, roteiristas, produtoras e montadoras que fizeram história no cinema.

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Era o ano de 2010. Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror), James Cameron (Avatar), Jason Reitman (Amor Sem Escalas), Lee Daniels (Preciosa) e Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios) disputavam o Oscar de Melhor Direção, e Kathryn (que também dirigiu A Hora Mais Escura e Caçadores de Emoção) não apenas venceu na categoria Melhor Direção, como levou para casa o maior prêmio da noite – Melhor Filme. Além dela, outras três mulheres já disputaram a categoria de Melhor Direção. São elas:

  • Jane Campion, diretora de O Piano (1993) – também foi roteirista do projeto e levou naquele ano o Oscar de Melhor Roteiro Original;
  • Lina Wertmüller, também diretora e roteirista, foi assistente de direção em (Federico Fellini) e recebeu a indicação por Pasqualino Sete Belezas (1975);
  • Sofia Coppola, filha de Francis Ford Coppola, dirigiu, produziu e escreveu filmes como Maria Antonieta (2006) e The Bling Ring (2013), sendo indicada por Encontros e Desencontros (2003).

Julie Taymor também foi um grande destaque por trás das câmeras. Diretora de musicais e óperas, ela já ganhou dois prêmios Tony e dirigiu a versão musical de O Rei Leão, além da adaptação de Sonho de Uma Noite de Verão (off-broadway). O contraste entre seus filmes – Across the Universe (musical), A Tempestade (comédia dramática) e Frida (drama biográfico) – demonstra a versatilidade da diretora, que atualmente está cotada para dirigir a adaptação de M. Butterfly na Broadway.

Outra diretora de grande importância, dessa vez para o cinema espanhol, é Isabel Coixet. Indicada aos Festivais Cannes e Berlim, vencedora dos Prêmios Goya e Butaca, Isabel participou da produção de mais de 15 filmes e dirigiu os memoráveis Minha Vida Sem Mim (2003) e A Vida Secreta das Palavras (2005).

As Irmãs Wachowski (Lilly e Lana) – antes The Wachowski Brothers – foram responsáveis pela direção, roteiro e produção da trilogia Matrix (1999), Cloud Atlas (2012) e Sense8 (2015) – série original Netflix. Apesar da transição recente de Lilly (para mulher transgênero), elas não poderiam ficar de fora da homenagem, afinal, suas produções mais recentes fazem questão de abordar temas como emancipação feminina, direitos LGBT e visibilidade trans.

Umas das primeiras mulheres a produzir e dirigir filmes para o cinema brasileiro foi Carmen Santos. A portuguesa, que veio para o Brasil com oito anos, fundou na década de 1920 a Film Artístico Brasileiro (FAB), e em 1934 criou o estúdio Brasil Vita Filme – companhia que se consagrou como uma das principais produtoras de cinema do país. Décadas depois de Carmen, Andrea Barata Ribeiro (sócia de Fernando Meirelles na O2 Filmes) se destaca no mercado atual pela produção de filmes, como Cidade de Deus (2002), Ensaio Sobre a Cegueira (2008), Xingu (2012), e séries de tv – Antonia (2006) e Som e Fúria (2009).

No Brasil, temos grandes destaque femininos na direção, como Petra Costa (Elena), Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças) e Anna Muylaert – que escreveu, produziu e dirigiu Mãe Só Há Uma (2016) e Que Horas Ela Volta? (2015), o qual entrou na lista dos 100 melhores filmes brasileiros da Associação Brasileira de Críticos de Cinema. O filme foi indicado em 14 categorias ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e venceu sete, dentre elas: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante.

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Assim como vimos em A Noite Americana (François Truffaut) e Ave, César! (Irmãos Coen), a montagem de filmes no período da consolidação da indústria cinematográfica sempre foi um trabalho feminino, tanto por sua semelhança com o corte e costura, quanto por ser uma tarefa que exige precisão e delicadeza (atributos geralmente associados as mulheres). Temos, então, até hoje grandes nomes femininos à frente dessa função.

Sally Menke foi responsável pela montagem dos filmes de Tarantino de Cães de Aluguel (1992) a Bastardos Inglórios (2009). Durante as gravações, o diretor pedia para os atores mandarem um “olá” para Sally, que veria esse material na pós-produção do longa.
Neste compilado dos bastidores de Bastardos Inglórios, vemos a equipe mandando o tradicional “Hi Sally!” para a montadora. Infelizmente, Sally faleceu em 2010, passando, então, a moviola de Tarantino para Fred Raskin.

A parceria entre Sally e Tarantino é similar à de Thelma Schoonmaker (imagem de capa do texto) e Martin Scorsese. Ao lado do diretor, Thelma foi a responsável pela montagem de filmes como O Lobo de Wall Street (2013), O Aviador (2004), Os Bons Companheiros (1990) e até mesmo o videoclipe Bad (1987) de Michael Jackson. A colaboração entre os dois ainda continua – ano passado a dupla apresentou Silêncio e em 2018 lançarão o esperado The Irishman.

Nossa homenagem é apenas um pequeno recorte da contribuição que as mulheres deram ao cinema. Como uma expressão artística recente, com pouco mais de 100 anos, o cinema tem muito o que aprender com as mulheres, que estão gradualmente conquistando seu espaço à frente e por trás das câmeras.

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Rafael Alessandro

Mestrando em Cinema e Artes do Vídeo, dedica-se à pesquisa e produção audiovisual.