Perfil Log, o que é, para que serve e quando não usar

Provavelmente você já ouviu falar de LOG, ou já deve ter visto alguma cena como essa:

Log Lady

Mas você não sabe exatamente o que é Log? Porque gravar dessa forma se a imagem fica toda lavada? E quando não vale a pena gravar assim?

Bom, se você tem essas dúvidas, esse texto é para você!

O que é Log

Log é um perfil de gravação em câmera, ou seja, um formato de pós produção na câmera, que define como as informações de luz que chegam no sensor serão escritas como vídeo digital. Log é a abreviação do termo logarítmico, que é o cálculo empregado na curva de gama neste perfil, o que possibilita que um maior alcance dinâmico seja escrito no arquivo final.

Linear vs Logarítimico

A vantagem deste perfil, em comparação ao perfil linear tradicional, é reter mais detalhes nas sombras e brilhos do arquivo, possibilitando maior flexibilidade de tratamento e alcance de detalhes no arquivo. Porém, como o resultado da gravação fica “lavado” é necessário sempre um tratamento.

Log vs Tratamento
À esquerda imagem log original, na direita após o tratamento

Existem diversas variações de perfils log, alguns exemplos são:
– C-Log ou Canon Log
– D-Log ou DJI
– F-Log ou Fujifilm
– S-Log na Sony
– V-Log na Panasonic

Vantagens e Desvantagens

Essa curva é aplicada na pós produção, ao criar o vídeo digital, então perceba que é diferente do RAW onde não acontece quase nada de pós produção. Embora o LOG preserve um pouco mais da amplitude de luminância, ele não tem o intuito de preservar MAIS informações, pelo contrário, em alguns casos ele pode até fornecer MENOS informações, diferente do RAW que tem a intenção de reter a totalidade de informações que chegam ao sensor.

Percebam na imagem abaixo, este é um frame de vídeo captado em Vlog, ao lado vemos um gráfico Waveform. Vejam como as informações de luminosidade ocupam poucos bits cerca de 128 variações, algo próximo de 7bits, utilizando metade das informações possíveis se comparado a uma imagem gravada em um perfil tradicional.

Vlog sobre Waveform

Se esse vídeo for gravado em 8bits em um codec com compressão, ele pode sofrer de banding ou posterização, além de apresentar mais artefatos de compressão, devido a simplificação de tons semelhantes.

Banding e Compressão

O ideal para este tipo de arquivo é gravar em um formato de maior qualidade como por exemplo em 10 bits. Isso pode ser feito internamente em algumas câmeras, como a GH5 ou utilizando gravadores externo como o Atomos Ninja V. Outra vantagem de monitor externo é usar um LUT para poder monitorar a gravação mais próximo do resultado final e facilitar a visualização.

Atomos Ninja V

Para evitar ruídos e aproveitar ainda mais essa curva é comum utilizar a técnica ETTR (Exposure To de Right), onde a imagem é superexposta, gravando mais à direita no histograma, para que no tratamento as sombras sejam comprimidas,

Durante o tratamento, para facilitar, você pode utilizar um LUT de conversão. Ele irá fazer o processo de transformar a curva de gama LOG em uma curva Linear. Escolha obviamente um LUT compatível ao perfil log utilizado e o resultado que deseja obter.

Lembre-se que o resultado irá variar de acordo com a exposição da cena, e sempre utilize um nó anterior ao LUT para o tratamento primário.

Okey, percebemos então que existem vantagens e desvantagens na utilização do LOG. Se você tem muito contraste na cena, altas muito intensas e sombras com detalhes e precisa preservar isso, o log é uma boa opção. Porém, em cenas com baixo contraste, luz controlada, não há necessidade. Lembre-se que esse perfil exige mais etapas na hora do tratamento, além de não ser ideal para gravação em 8 bits, já que sofrerá mais com compressão e ruído.

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Coordenador de audiovisual. Trabalho com edição e pós produção. Adobe Certified Instructor em After Effects, Premiere, Illustrator, Lightroom, Photoshop, Video Specialist.