Direcionalidades nos microfones: como funciona cada padrão polar?

Além de classificar os microfones por sua transdução, por exemplo, se é um microfone dinâmico, condensador ou até mesmo de fita, podemos dividi-los em suas respectivas direcionalidades, ou seja, a forma que o microfone capta o som de diferentes direções.

Cardióide – É um dos modelos mais comuns entre os microfones. Capta bem o som proveniente em sua direção frontal e também um pouco lateralmente, sendo a parte traseira praticamente nula.

Super- Cardioide – É um modelo parecido com o cardióide, porém ainda mais direcional ao som que chega frontalmente. Em contrapartida possui um pouco mais de sensibilidade na parte traseira.

Hiper-Cardioide – É um modelo ainda mais direcional em relação ao diagrama polar dos anteriores. Em contrapartida possui um pouco mais de sensibilidade na parte traseira.

Figura 8 – Capta o som em suas extremidades, formando uma figura que lembra o número 8. Ele também é chamado “bi-direcional”, porque há dois eixos de direcionalidade em seu padrão polar. Em compensação, repare que há uma defasagem de captação no centro.

Omnidirecional – Como o próprio nome já diz, capta o som por todas as direções. É um microfone panorâmico!

Em resumo, a escolha da direcionalidade do microfone tem a ver com o que queremos que ele “ouça”. Repare nessa imagem a seguir:

Alguns microfones são bastante característicos para determinadas situações, por exemplo, os microfones de mão, utilizados em show, são na maioria das vezes cardióides, já que essa figura rejeita sons que venham de trás do microfone, que nesse caso poderiam ser o vazamento de outros instrumentos sendo tocados no palco, e possibilita uma boa área de captação no eixo central e lateralmente, o que permite, por exemplo, que um vocalista se movimente com maior liberdade sem se preocupar se o microfone está apontado exatamente para a sua boca.

Os chamados “direcionais”, “shotgun” ou popularmente “boom” são geralmente Super ou Hiper Cardióides e são utilizados principalmente na indústria do audiovisual, pelo fato de que com sua direcionalidade podemos dar enfoque ao que realmente interessa, rejeitando na medida do possível ruídos que venham de outras direções e privilegiando, por exemplo, a captação de um diálogo. Esse tipo de microfone funciona com o princípio de cancelamento de fase para anular sons que venham de trás e dos lados.

Se vocês repararem no corpo do microfone, temos diversas aberturas em pontos diferentes, o que cria um tubo de interferência e resulta em ondas que se somam e outras que se subtraem, sendo as últimas, portanto, canceladas e rejeitadas.
Quanto maior for o tubo, convencionalmente, mais direcional será o microfone.

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A utilização do Figura 8 e Ommidirecional são voltados para situações em que há mais controle do ambiente sonoro e/ou quando se pretende ter uma “imagem” sonora ampla, captando portanto uma área maior.

Nada disso é uma regra! Então, o que vale é sempre pensar, o que eu quero que meu microfone ouça? Em caso de dúvidas, cheque sempre o manual e procure pelo diagrama polar. Uma dica é você ir pesquisando os microfones mais comuns no mercado para conhecer não só sua direcionalidade, mas também o timbre, componentes, etc.

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Airton Júnior

Professor de áudio no AvMakers, Airton iniciou os estudos de música aos 6 anos de idade. É formado pelo “Conservatório Musical Souza Lima” no Curso Dinâmico de Áudio e Bacharelado em Audiovisual pelo Senac. Como violonista já se apresentou em programas como o “Encontro com Fátima Bernardes” e do TEDx, além de canais do youtube de grande reconhecimento. Como produtor musical, operador de som e mixagem, atuou com diversos nomes muito importantes do cenário nacional.