Os primeiros passos de uma Diretora de Fotografia

Patricia Carvalho fala sobre sua trajetória e primeira experiência profissional, como Diretora de Fotografia do curta-metragem “Quimera”, que estréia no Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre – FANTASPOA 2020.

A trajetória profissional de Patricia Carvalho começa como tantas outras, com o interesse pela fotografia. Aos quatorze anos de idade ela já adorava produzir retratos com uma câmera amadora, modelo cybershot, e editá-los no antigo photoscape. “Quem nunca?”, ela brinca.

Desde então, a idéia de trabalhar por trás das câmeras, nos bastidores de produções cinematográficas, começou a despertar seu interesse. Foi pesquisando sobre cursos na área que ela acabou encontrando o curso técnico em Produção de Áudio e Vídeo do IFPR – Instituto Federal do Paraná, em Curitiba. Ainda aos dezoito anos de idade, Patricia ingressou na terceira turma do curso. Ali era dado o primeiro passo.

“Quando ingressei no curso técnico, em 2012, eu ainda trabalhava como auxiliar de cabeleireira e foi com essa renda que pude adquirir minha primeira câmera, uma Canon t3i”, revela Patricia.

Uma das principais características reconhecíveis ao observar a trajetória de Patricia é sua versatilidade e disposição em assumir riscos. Seu primeiro emprego na área foi como editora de vídeos em um estúdio especializado em eventos sociais. Ela também estagiou por dois anos no estúdio do curso técnico do IFPR, trabalhando com roteiro, captação, edição e coberturas de eventos do Instituto, além de auxiliar os alunos do curso com reviews de equipamentos e dúvidas sobre edição de vídeo. Paralelamente ao estágio, ela também começou a fazer alguns freelances em casamentos, ensaios e aniversários para algumas empresas de eventos, inicialmente como terceira câmera.

Depois de trabalhar por aproximadamente dois anos como freelancer nessa área, Patrícia se sentiu confiante para abrir seu próprio negócio de fotografia e produção audiovisual para empresas e eventos sociais, a Carvalho Foto e Filmes, que existe desde 2014 e é fruto de uma parceria com Pablo Bastos, colega e amigo que conheceu no curso técnico do IFPR. Aqui fica claro outro elemento importante durante sua trajetória: as boas parcerias.

E sobre as alegrias e desafios de empreender nesse mercado, ela ressalta: “Além da parte técnica, a gente precisa se manter antenado em questões administrativas, financeiras, e ter muito planejamento para que a empresa se desenvolva. E a melhor parte de trabalhar com eventos é poder registrar momentos únicos das histórias das pessoas, trabalhar sempre registrando o amor em todas as suas formas”.

Patricia conta que sempre teve paixão pelo cinema e que participou de várias produções audiovisuais estudantis, mas foi por meio da produtora Imagística Filmes, de Curitiba, que teve as primeiras experiências profissionais na área.

Seu primeiro set de filmagem profissional foi no curta-metragem “Aquele Casal”, como Assistente de Fotografia. Sobre os deveres da função, Patricia afirma: “É estar sempre atenta ao que a(o) Diretora(o) de Fotografia precisa, para isso, é essencial estudar toda a lista de equipamentos que serão utilizados na produção, zelar por esses equipamentos no set, ser proativa e ágil”.

Foi durante a filmagem deste projeto que o diretor e roteirista, William de Oliveira, a convidou para assumir a Direção de Fotografia de seu próximo curta: “Quimera”.

Sobre seu envolvimento com o projeto, ela comenta:

“Foi uma experiência incrível e desafiadora. Busquei entender bem o que o diretor pretendia esteticamente, para que eu pudesse sugerir os equipamentos e técnicas que mais se encaixavam na proposta. Fiquei muito ansiosa, principalmente na primeira diária de filmagem, mas assim que começaram a fluir as cenas, o nervosismo deu lugar a uma sensação incrível de estar fazendo o que eu tanto amo fazer”.

Mas a versatilidade de Patricia e seu desejo por aprender a levou a assumir outro desafio profissional, ela aceitou trabalhar como Segunda Assistente de Direção no longa-metragem “Ursa”, também de William de Oliveira e, atualmente, em fase de pós-produção. O convite, desta vez, partiu da Primeira Assistente de Direção do filme, Tamiris Tertuliano, que desempenhou essa função também no curta “Aquele Casal”.

“Aceitei o desafio de ser Assistente de Direção pela primeira vez em um longa-metragem, porque queria entender como funciona esse diálogo direto com todas as demais áreas presentes em uma produção cinematográfica”, justifica.

Dessa experiência, Patricia só tira saldos positivos e garante que é um caminho para se desenvolver profissionalmente:

“Super recomendo que as pessoas transitem entre as diversas áreas do cinema, além de adquirir experiência e ampliar o leque de conhecimentos nesse universo do audiovisual, você consegue entender e definir melhor qual sua principal área de interesse”.

A parceria com Tamiris foi tão bem sucedida que Patricia foi convidada a fazer a fotografia do primeiro curta de Tamiris como diretora, “Pausa Para o Café”. Um filme sobre mulheres e sororidade, também em fase de finalização.

Em breve, Patricia deve se aventurar novamente, pois irá dirigir seu primeiro curta-metragem “Deise”, escrito por ela mesma e a ser produzido também pela Imagística Filmes. Ela garante que a Fotografia é seu foco, mas decidiu abraçar mais este desafio “pela carga pessoal e emocional que ele tem, por se tratar de uma história de violência contra a mulher ocorrida dentro da minha família” explica.

Convidada a falar sobre suas referências, ela cita duas mulheres: Camila Cornelsen e Janice d’Avila, e questionada se já sofreu discriminação de gênero no trabalho ela revela que, infelizmente, sim. “Com algumas pessoas na área do cinema, especificamente. Eles acreditavam que eu não poderia ser uma assistente ou diretora de fotografia, que eu não tinha potencial e que estava na área errada”.

Para um mercado audiovisual mais inclusivo, ela acredita na expansão de oportunidades para mulheres, pretas e pretos, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência à frente e atrás das câmeras.

Convidada a compartilhar um conselho com mulheres que desejam trabalham com audiovisual, ela diz:

“Acredite no seu potencial, não deixe que nenhuma pessoa a faça pensar o contrário. Se você realmente quer trabalhar com audiovisual, estude, se dedique a conhecer e vivenciar todas as áreas de seu interesse”.

Você poderá conferir o primeiro trabalho profissional de Patricia como Diretora de Fotografia nos próximos dias, pois “Quimera” terá sua estreia no Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre (Fantaspoa), que neste ano será inteiramente online e gratuito por meio da plataforma Darkflix, entre os dias 24 de julho e 2 de agosto.

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Fernanda Simões

Fotógrafa e Videomaker no AvMakers, Fernanda é graduada em Publicidade e Propaganda e pós-graduada em Comunicação Audiovisual pela PUC PR. Trabalha com produção audiovisual desde 2007, entre produções publicitárias, institucionais, EAD e Making Of para cinema, videoclipe e demais projetos audiovisuais. Isso tudo quando não está cuidando do Gael ou correndo atrás do Astolfo.