Como melhorar a gravação em segunda câmera (B-roll)

A segunda câmera é um apoio, mas não significa que ela precisa ter imagens menos interessantes.

Todo mundo já viu alguma cena usando esse tipo de configuração de fotografia: uma câmera principal que grava os modelos ou atores de uma cena, enquanto há uma segunda câmera, às vezes meio lateral, ou voltada para itens do cenário que envolve as personagens daquela cena.

Os nomes desses tipos de configuração são herdados do cinema clássico, quando ainda era feito em filmes: o A-Roll (rolo A, em português) é a câmera principal, enquanto a segunda câmera é chamada de B-roll.

Apesar de muitos filmmakers somente utilizarem o B-roll como uma reserva ao que dá errado na gravação principal, jogando fora ou não utilizando o que é captado por essa segunda câmera, o B-roll pode ser tão importante quando a câmera principal. E não é o fato de ser um “suporte” à camera principal que faz do B-roll algo que precise ser chato ou menos criativo: esse tipo de pensamento faz a sua obra perder muito em conteúdo.

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O Equipamento e configuração do set

Uma dica que parece bastante básica, mas que é de ajuda perfeita para melhorar a qualidade da segunda câmera, é conhecer bem a configuração do seu set e equipamento. A escolha de enquadramentos interessantes para o b-roll vai depender de um conhecimento espacial bastante específico desses itens.

Isso porque uma gravação fantástica feita na câmera principal pode ser estragada por uma imagem de apoio que quebra toda a “magia” que a primeira imagem mostrou.

A noção de que uma imagem completa a outra vem justamente dessa interligação entre o que é mostrado na câmera principal e na imagem de apoio e isso só é feito quando se conhece bem aquilo que se está gravando.

Então, vale prestar atenção na luz que é mostrada em ambas as câmeras, de maneira que ela seja consistente em ambas, seja ela natural ou seja ela gerada por torres de luz, softboxes ou outras fontes artificiais de iluminação. Leve em consideração como a disposição de tudo influencia no enquadramento de ambas as câmeras.

E em relação ao equipamento, por mais que seja possível captar com duas câmeras que possuem qualidade de imagem diferentes, você deve prestar atenção para que essa diferença não seja gritante e acabe gerando um efeito de estranhamento no seu público — a não ser que seja o efeito que você quer gerar. Para minimizar essa diferença, recomenda-se utilizar o mesmo modelo de câmera nas gravações.

A configuração das câmeras ajuda você, inclusive, no momento da pós-produção: relações como taxa de frames, resolução, perfil de cor, balanço de branco, entre outras configurações, influenciam muito na qualidade final do vídeo que você está produzindo — sem contar que elas dificultam um pouco a vida do editor/finalizador que terá de harmonizar todo o conteúdo caso o material tenha sido captado com configuração diferente de uma câmera para outra.

A gravação

Para gravações curtas, você pode captar o conteúdo na ordem, tanto para a câmera principal quanto para a câmera de apoio: novamente, isso facilita o momento da edição a fim de se saber em que momento cada coisa entra.

Contudo, quando se trata de uma gravação mais extensa, ou que tenha muitos ângulos e enquadramentos e outros detalhes que podem tornar confusa a seleção do conteúdo entre as duas câmeras, vale a pena fazer um storyboard do que será captado.

Assim, faça um planejamento prévio com um storyboard porque ele dá uma melhor noção do que pode ser feito e com um grau de precisão maior, já que, sabendo o que a câmera principal está gravando, aquilo que pode ser explorado pela segunda câmera fica muito mais evidente e dá mais margem à exploração — o que cumpre com o objetivo de enriquecer o conteúdo que está sendo captado.

A pós-produção

Até aqui, o projeto só acontece, de maneira geral, na cabeça de quem projetou ele, mas é na pós-produção que ele realmente ganha forma e se torna uma peça.

A edição é responsável por cortar e juntar as peças, de maneira que o que foi planejado pelo diretor e ilustrado no storyboard seja cumprido.

Uma das formas de uniformizar a imagem das duas câmeras é aplicar efeitos ou utilizar um tratamento de cor para obter esse efeito de complementariedade entre o B-roll e a câmera principal. O Bruno Baltarejo já falou disso aqui. Vale muito a pena a leitura.

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Dentro de uma gravação cujo tema é natureza, por exemplo, a câmera de apoio pode ser aquela que mostra grandes panoramas de paisagens com um tratamento de cor exemplar, de modo a evidenciar a mensagem que é trabalhada dentro da peça como um todo.

É sempre bom relembrar que o som também é parte importante quando se fala de segunda câmera e do tratamento que se dá ao conteúdo que ela capta.

É na pós-produção que o design sonoro da peça audiovisual como um todo será feito e, assim como foi feito com as imagens, um cuidado especial deve ser tomado em relação ao áudio, bem como aspectos únicos de cada cena podem ser explorados para unir as duas gravações: uma cena de diálogo com duas personagens jantando pode ter uma imagem de apoio dos talheres e do prato de um deles, enquanto o som do contato desses pode ficar um pouco mais evidente através da captação de áudio.

Em tempos em que se disputa a atenção do público com muitas telas, fornecer um conteúdo de qualidade, com áudio e imagem bem finalizados, é um fator determinante entre um conteúdo que não apresenta novidade e é facilmente esquecido e outro de alto poder de engajamento do público.

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Escritor e redator, formado em Rádio e Televisão pelo Complexo FIAM-FAAM, apaixonado por literatura e observador míope do espaço sideral.