Os storyboards de Martin Scorsese

Durante a decupagem de um filme – processo de pré-produção da divisão das cenas em planos – o diretor é responsável por transformar o roteiro escrito em imagens, e assim definir esteticamente como cada cena será registrada: o tipo de enquadramento, angulação, movimento de câmera…

E nesse processo, muitos diretores preferem desenhar esse esboço de cada plano, originando o que chamanos no cinema de storyboard. O resultado final é quase uma história em quadrinhos, mas sem balões de falas e com diversas marcações de movimentos de personagens e de câmera.

Martin Scorsese é um desses diretores que vê no processo de criação do storyboard o nascimento de seu filme. Sua relação com o desenho vem desde a infância. Por conta das complicações causadas pela asma, impossibilitado de realizar exercícios físicos, ele se distraía criando desenhos e inventando histórias.

Na criação de storyboard para seus filmes ele encontra duas principais vantagens: a preparação e a segurança. A primeira etapa diz respeito ao processo de concepção visual do filme, de sua interpretação de como aquela história que está em sua cabeça será enxergada por outros.

A segunda vantagem é a segurança que o diretor sente ao chegar no set e poder explicar com clareza para sua equipe sua proposta. Mas o próprio diretor insiste que essa segurança não deve ser uma muleta, mas apenas uma base: “tenho que me desprender dessa segurança. Ou seja, acho que sei o que quero, mas gostaria de ver o que mais consigo com os atores, o operador de câmera, com todos“.

Selecionamos alguns excertos dos storyboards de Taxi Driver (1976) e colocamos lado a lado com os frames do filme:

Confira também um paralelo em vídeo entre o storyboard de Touro Indomável (1980) e os planos do filme:


Referências

Filmes:
Taxi Driver (1976), dirigido por Martin Scorsese
Touro Indomável (1980), dirigido por Martin Scorsese

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Rafael Alessandro

Mestrando em Cinema e Artes do Vídeo, dedica-se à pesquisa e produção audiovisual.