Fotografia Arte

O desfoque artístico da Helios 44m 58mm f/2.

6 meses atrás

Você já deve ter visto uma, você já deve até ter usado ou pegado em uma dessas. Isso é muito provável porque ela é, talvez, a lente mais vendida do mundo.

Fabricadas na Rússia até meados dos anos 90, os modelos 44m tem um projeto com origem muito interessante, pois, na verdade, é um projeto copiado da Carl Zeiss Biotar 58mm f/2.

As lentes da Zenit eram feitas na União Soviética e tinha custo baixíssimo e uma construção muito robusta, por isso existem muitas até hoje. Eram feitas realmente para ter custo acessível e durar, para difundir a fotografia na região e no mundo. Essa lente era também a lente “do Kit” de muitos modelos da Zenit.

A letra “M” presente na nomenclatura da lente diz respeito ao Mount que ela utiliza: O tradicional M42. Presente também em outras câmeras da época, como as da Pentax, entre outras. Esse Mount, diferente dos atuais, não é de encaixar, mas sim de rosquear, igual parafuso. As últimas versões da lente utilizam o Mount “K”, também o mesmo das Pentax K, assim então a sigla da lente Russa foi alterada para 44k, neste formato.

Atualmente é possível usar uma lente dessas em qualquer câmera, basta ter um adaptador do Mount M42 para o Mount da sua câmera, como o Ef, das câmeras DSLR Canon, por exemplo.

Essa lente ficou conhecida por ter um certo defeito ótico em sua abertura máxima, f/2, onde o bokeh acontece em formato de redemoinho, como na imagem abaixo:

As versões da helios 44m são: 44m (a versão inicial e clássica), seguidas pelas versões 44m-2 (a mais desejada de todas, pois tem um desfoque ainda mais presente) e a 44m-3 (muito rara, dizem que é por ter sido fabricada poucas unidades). Já as versões 44m-4 até 44m-7 foram recebendo melhorias na construção e perdendo o aspecto de redemoinho gradativamente conforme a evolução, porém, todas elas ainda mantêm a característica.

Neste artigo, vamos falar do modelo 44m-4, que é a 4a geração da lente. Este modelo tem um bokeh um pouco menos acentuado do que a versão 44m-2, porém, essa característica ainda é muito marcante e impactante.

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Por se tratar de uma lente mecânica, o foco é feito manualmente e o diafragma é alterado através de um anel na própria lente. Alterar o diafragma não é um grande esforço, às vezes ali no anel da lente fica até mais fácil, mas trabalhar em foco manual pode exigir um pequeno (e produtivo) aprendizado.

Em algumas câmeras existe o recurso do “Focus Peaking” para auxiliar no foco manual, que quando ativado, interpreta a área em foco e cria um contorno colorido no objeto focado. Este recurso pode facilitar um pouco este processo. Já nas câmeras sem este recurso, é necessário um pouco mais de atenção e concentração para cravar o foco, que ainda pode ser um ótimo exercício.

Eu incorporei essa lente no meu kit principal, no lugar de uma 50mm normal, por exemplo. Claro que ela serve muito bem para alguns trabalhos mais artísticos, justamente por conta do seu incrível defeito ótico, que em retratos pessoais, alguns trabalhos de moda mais conceituais e trabalhos autorais, ela causa bastante impacto visual. Quando o trabalho exige mais detalhes e mais nitidez, prefiro usar outra lente. A seguir confira algumas fotos feitas com a lente em JPG da câmera, sem edição.

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Outra característica marcante é o flare que ela causa, algo completamente fora do comum:

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O mais legal é que essa lente continua com preço acessível até hoje, sendo encontrada por valores entre R$ 100 até R$ 450. Eu mesmo, depois de procurar um pouco, consegui comprar um kit com Câmera Zenit 12xp + 44m-4 + 35-80 + um flash zenit, por apenas R$ 150. É só ter paciência e procurar nos lugares corretos. Depois encontrei o adaptador por R$ 40 no mercado livre.

As lentes vintage são ótimas escolhas para agregar mais criatividade e arte em nossos trabalhos. E o legal é que os adaptadores servem para muitas delas, então é só começar a aproveitar esses equipamentos sensacionais com ótimo custo X benefício.

E aí, o que achou?

Autor(a) do artigo

Fabio Zangelmi
Fabio Zangelmi

Fábio Zang é publicitário não praticante e há quase 10 anos atua como fotógrafo de Publicidade, Moda, Beauty e Retratos, depois de ter experimentado todas as outras áreas da fotografia. Já foi professor no curso de Produção de Moda para Fotografia no SENAC e atualmente é também professor de fotografia em plataformas online e workshops presenciais. Atendeu empresas como GMC, Evoóc, Absolutti, XP Investimentos, Cristália Farmacêutica, RCE, entre outras, e já teve seu trabalho veiculado em grandes revistas de circulação nacional e portais, como Caras, Cabelo & Cia, Exame, G1, Uol, Vogue Itália, e mais alguns. Fábio também é músico nas horas vagas, pai de gato e tem um jeito carismático e bem agitado.

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