Como foram produzidas as criaturas de Harry Potter

18 anos após o lançamento do primeiro filme, Harry Potter segue sendo uma das franquias de maior sucesso do cinema, ao acompanhar o crescimento de seu público ao longo de dez anos. Para além de todas as dificuldades que um filme de fantasia enfrenta em seu processo de criação, Harry Potter já havia se consagrado um dos livros mais lidos no mundo, aumentando ainda mais a responsabilidade de quem pretendia transpor elementos dos livros para os filmes.

A partir de materiais oficiais, como o livro Das Páginas Para a Tela e o documentário Criando o Mundo de Harry Potter, os senhores Aluado, Rabicho, Almofadinha e Pontas têm o orgulho de apresentar algumas curiosidades sobre o processo de produção e transcriação das criaturas fantásticas de Harry Potter.


Bicuço

Para Alfonso Cuarón, diretor do terceiro filme da saga, as criaturas poderiam ser interpretadas como uma extensão dos personagens: “o hipogrifo, de certa forma, mostrava que Harry estava ficando mais velho, descobrindo sua força interior e sua liberdade“.

O hipogrifo não é uma criação do mundo de Harry Potter. É possível encontrar citações literárias que fazem referência a essa criatura mitológica desde 1500. Sua representação era de um animal com asas, garras, patas traseiras de cavalo e cabeça de águia.

Um aspecto que toda a equipe buscava no design dessas criaturas era fazê-las – na medida do possível – verossímeis. No caso de um hipogrifo, suas referências deveriam ter base na realidade. Por esse motivo, a arte conceitual dessa criatura surgiu após longas conversas da equipe com fisiologistas e veterinários.

Essa pesquisa foi levada em consideração não apenas para a definição imagética do animal, mas também para a animação do Bicuço. A equipe de efeitos visuais estudou os movimentos das águias douradas em voo para transpor para o hipogrifo os mesmos movimentos das asas e do peito, conferindo a ele a mesma majestosidade e senso de perigo.

Bicuço foi produzido como animatronic, em tamanho real e com penas coladas uma a uma para ser utilizado no set em algumas tomadas, porém foi aprimorado e substituído digitalmente na versão final do filme.

Basilisco

Para as definições estéticas das criaturas, a equipe de design dos filmes parte não apenas do referencial oferecido pelo livro, mas também de uma análise psicológica desses animais: eles são bons ou maus? inteligentes ou estúpidos?

Enquanto Bicuço representa um adolescente desleixado, o Basilisco talvez seja a uma das criaturas mais apavorantes de toda a saga. E a equipe do departamento de criaturas utilizou isso como uma forma de potencializar a atuação de Daniel Radcliffe (Harry Potter) – que ainda era apenas uma criança em A Câmara Secreta.

Apesar de o diretor Chris Columbus achar que o animal deveria ser em CGI, a equipe construiu uma versão mecânica dos primeiros 7,6 metros do Basilisco para dar aos atores algo tangível para interagir, tornando a atuação mais realista: “se alguma coisa com presas move-se contra você e pesa três quartos de tonelada você reage a ela de um jeito bem melhor“.

Aragogue

Um receio da equipe de produção em adaptar o Aragogue era o risco de uma aranha gigante falante ficar muito brega no filme. Para driblar esse risco, o personagem foi fotografado em um ambiente muito escuro: “achei que, se usássemos uma iluminação clara, estaríamos fritos porque o público riria desta aranha falante” (Chris Columbus).

As primeiras ilustrações conceituais de Ararogue foram baseadas na espécie aranha-lobo, que em uma versão ampliada, como é no filme, ficaria assustadora. E novamente a equipe do departamento de criaturas aproveitou isso como uma possibilidade de extrair algo de real dos atores: “só o que ela faz é sair de uma toca e conversar. Podemos construir isso. Todas as outras aranhas correndo para cima e para baixo nas árvores, só digitalmente. Mas Aragogue é diferente” (Nick Dudman).

Aragogue foi construído mecanicamente em tamanho real e tanto Daniel Radcliffe quanto Rupert Grint (Ron Weasley) – que assim como personagem tem medo de aranhas – ficaram verdadeiramente assustados com o robô, relembra o protagonista: “lembro a primeira vez em que rodamos na Floresta Proibida, Rupert e eu estávamos andando no alto de um rochedo. De repente, havia uma aranha gigantesca à nossa espera. Foi tão real, ficamos aterrorizados!“.

Mandrágoras

As mandrágoras foram 100% criadas mecanicamente. Nesse caso, a textura dos bonecos, comparada pelo diretor a um rabanete e a um nabo, e o fato de estarem cobertas por terra ajudava na verossimilhança dessa criatura.

Para estabelecer o design das mandrágoras a equipe levou em conta sua personalidade, e apesar de serem bebês elas não poderiam parecer fofas. Nick Dudman explica que elas “não podiam ser ursinhos fofinhos porque seriam destruídas para fazer uma poção. Então, fizemos delas criaturas que berram“.

Foram produzidos 50 bonecos animatrônicos que eram operados por um radiotransmissor que controlava os movimentos enquanto eram retirados dos vasos e replantados. Abaixo você confere algumas imagens de quando as mandrágoras ainda estavam sendo modeladas a partir das artes conceituais, antes da produção dos animatronics:


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Referências

Livros:
Harry Potter: Das Páginas Para a Tela, de Bob McCabe

Filmes:
Saga Harry Potter (2001-2011)
Creating the World of Harry Potter (2009-2012)

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Rafael Alessandro

Mestrando em Cinema e Artes do Vídeo, dedica-se à pesquisa e produção audiovisual.