Truques da cenografia mágica de Hogwarts em Harry Potter

Símbolo da saga Harry Potter desde o primeiro filme, a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts se consagrou no imaginário do público como o destino dos sonhos de qualquer criança. E por mais mágico que o mundo de Harry Potter possa ser, na transposição dos livros para os filmes os cenários deveriam “parecer reais“. Por isso, uma equipe de centenas de pessoas foi mobilizada para trazer para as telas a interpretação do designer de produção Stuart Craig das locações.

Foi um trabalho conjunto de cenógrafos, artistas conceituais e cênicos, diretores de arte, modelistas, desenhistas, pintores, maquetistas, escultores e marceneiros para criar ambientes críveis, já que assim a magia nessas locações se destacaria ainda mais, explica Stuart: “a magia, quando surge, é mais forte porque nasce de algo que é reconhecível. Isso a torna mais eficaz quando ela finalmente aparece, quer se manifeste como fantasmas, efeitos de varinhas ou escadas que mudam de lugar“.

O Castelo

Nos primeiros filmes de Harry Potter, a equipe optou por realizar as gravações das cenas externas de Hogwarts em locações reais. Para isso, foi realizada uma pesquisa de cenários que pareciam tão milenares quanto a escola. O Castelo de Alnwick (imagem acima), a Universidade de Oxford e a Catedral de Durham (imagem abaixo) foram apenas algumas das locações do início da saga.

Essa junção de pequenos pedaços de espaços reais, que nem sempre se encaixavam em sua totalidade, gerou uma dificuldade na elaboração da fachada de Hogwarts: “quando juntamos tudo, não tivemos uma silhueta icônica bem-sucedida” (Stuart). Para contornar esse problema, nos filmes seguintes alguns sets reais deixaram de aparecer e aos poucos a silhueta do castelo foi se modificando.

É interessante notar, inclusive, como o castelo foi se adaptando ao longo dos oito filmes, de acordo com as necessidades de cada narrativa. No primeiro filme, segundo o diretor, a ideia foi criar uma versão “maravilhosa e rica” de Hogwarts, que logo no segundo filme já apresenta uma fachada mais desgastada, e vai ficando mais sombria a cada novo capítulo.

Essas adaptações arquitetônicas do castelo podem ser encaradas como “erros de continuidade”, mas preferimos acreditar que Hogwarts funciona como a Sala Precisa, que “sempre estará equipada com o necessário para o bruxo“.

O Salão Principal

Com estrutura baseada em um salão da Christ Church, na Universidade de Oxford, o Salão Principal foi uma das locações construídas em estúdio desde o primeiro filme, com 12 metros de largura e 35 metros de comprimento.

Ele comporta quatro grandes mesas de 30 metros de comprimento cada, que acomoda os estudantes de cada casa de Hogwarts. Nas paredes, cada casa está representada nas gárgulas que suportam as chamas reais que ajudam na iluminação do cenário e criam um ambiente mais acolhedor.

Inclusive, muitos dos efeitos dos cenários de Hogwarts eram reais, como as velas flutuantes. Nas gravações de A Pedra Filosofal, a produção pendurou centenas de velas com fios conectados a roldanas, para um movimento que simulava o da flutuação. Assim, antes de cada take era necessário acender vela a vela, além das gárgulas.

Quando fizemos a tomada de baixo para cima passando pelas velas flutuantes, não dava para ver os fios. Todos na sala aplaudiram naquele dia. (Chris Columbus)

A Escadaria

Outro efeito realizado mecanicamente foi o movimento das escadas de Hogwarts. Elas eram colocadas em cima de uma base com rodas e com um fundo em chroma key – assim, a produção poderia aproveitar o movimento real da escada e dos atores e substituir o fundo por qualquer perspectiva. E para isso funcionar, tudo precisou ser coreografado: os atores em cena, os movimentos de câmera e o movimento das escadas.

Quadros Vivos

Mas o movimento coreografado mais desafiador do filme talvez tenha sido a produção dos quadros vivos. O princípio do efeito era simples, e aconteceu em quatro etapas:

  • filmagem do fundo pintado;
  • filmagem do personagem em chroma key;
  • junção das duas imagens e adição de textura de pintura;
  • aplicação da imagem final nas molduras do cenário.

O verdadeiro desafio, segundo Alfonso Cuarón (diretor do terceiro filme), foi planejar o movimento dos personagens que iam de um quadro para o outro, já que cada retrato era produzido individualmente.

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Referências

Livros:
Harry Potter: Das Páginas Para a Tela, de Bob McCabe

Filmes:
Saga Harry Potter (2001-2011)
Creating the World of Harry Potter (2009-2012)

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Rafael Alessandro

Mestrando em Cinema e Artes do Vídeo, dedica-se à pesquisa e produção audiovisual.