Qual a importância dos sons ambientes (BG)?

No artigo Como a equipe de pós produção em som é organizada?, escrevi sobre uma categoria chamada “FX” e dentro dela há um grupo de sons conhecidos popularmente como “BG”, abreviação para a expressão em inglês “background”, que em português são os sons ambientes. Mas afinal, quais são suas características e importância dentro da construção sonora?

Esses sons costumam ser contínuos. Entre várias funções possuem a responsabilidade de situar o espectador na diegese. Nesse sentido, quando o ouvimos em associação (ou não) com a imagem podemos entender em que espaço acontece aquela ação. Um exemplo clássico pode ser percebido no filme “Dogville” (Lars Von Trier, 2003), pois sendo todas as cenas gravadas na mesma locação (um estúdio), se a construção do som ambiente fosse verossímil às condições de captação, não teríamos a mesma percepção de mudanças de cenas como acontece, por exemplo, entre os sons que caracterizam a vila, campo, etc. O mesmo pode ser percebido em filmes de animação, já que tradicionalmente não existe o processo de som direto.

A ambiência também possui uma função muito importante em conjunto com a imagem de manter a continuidade entre as constantes trocas de planos. Esse foi um dos 6 princípios sonoros descritos por Robert Stam no livro “Introdução à teoria do cinema. Campinas: Papirus, 2003”.

Nesse sentido, apesar de existirem mudanças de planos em uma mesma cena (provenientes da montagem), a relação do som ambiente tende a ser contínua a fim de não marcar o corte da imagem e desorientar o espectador em relação ao seu ponto de escuta. Quando não existe essa continuidade sonora, geralmente obtida através do som ambiente, as mudanças bruscas de timbre, intensidade e volume são percebidas pelo público.

Isso acontece por uma razão muito simples, durante o processo de gravação, ao fazer mudanças de um plano para outro, as circunstâncias de captação também alteram, já que tanto os equipamentos como a equipe precisarão se deslocar, portanto o processo do som direto é interrompido, e ao iniciar uma nova gravação as relações com a fonte sonora já não são mais as mesmas (relação espaço/tempo, efeito proximidade, configurações do gravador).

Por isso é importante sempre que possível gravar ambiências contínuas de média/longa duração, sem nenhum tipo de interferência, para que na pós produção o “sound designer” tenha liberdade para escolher o trecho que irá utilizar. Uma outra dica ao captar ambiências é gravar arquivos em estéreo, pois dessa forma conseguiremos mais profundidade/perspectiva para o desenho de som. Hoje em dia, com o advento de sistemas surround cada vez mais imersivos, há muitos profissionais que utilizam gravadores 360° para ampliar as possibilidades de pós produção.

Lembrando que existem diversas bibliotecas de som gratuitas que também podem nos auxiliar. Veja alguns exemplos abaixo:
Adobe Audition Sound Effects
BBC Sound Effects

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Airton Júnior

Professor de áudio no AvMakers, Airton iniciou os estudos de música aos 6 anos de idade. É formado pelo “Conservatório Musical Souza Lima” no Curso Dinâmico de Áudio e Bacharelado em Audiovisual pelo Senac. Como violonista já se apresentou em programas como o “Encontro com Fátima Bernardes” e do TEDx, além de canais do youtube de grande reconhecimento. Como produtor musical, operador de som e mixagem, atuou com diversos nomes muito importantes do cenário nacional.