Como fazer entrevistas incríveis

Muitas vezes você até está preparado para fazer a melhor das entrevistas, mas será que ela está visualmente legal?

Não importa muito se você tem uma equipe grande ou se você é a sua própria equipe, colocar alguém em uma cadeira e começar uma entrevista não é lá um grande mistério, não é? Porém, nem sempre o ambiente e o equipamento separado para a gravação favorecem,e é nesse momento que você começa a ter problemas: o convidado ou convidada pode não se sentir confortável, as respostas ficam estranhas, o visual da entrevista não fica dos melhores, e o que era pra ser uma entrevista digna do 60 minutes começa a apontar para um lugar que você não quer.

Mas ao invés de simplesmente esperar pelo melhor, você pode aproveitar as dez dicas para uma entrevista fantástica — mesmo que o seu lugar não ajude muito.

Antes da listinha de dicas em si, é interessante sempre lembrar: esteja confortável com o assunto da sua entrevista e tenha certeza de que você está a par do que vai ser conversado nela. Ainda que a ideia seja ter uma entrevista visualmente bonita, você deve ter sempre em mente que é o conteúdo da sua entrevista que deve ser o foco de tudo.

E claro, se você puder pôr em prática o que a gente vai falar aqui, melhor para você e para o que você vai desenvolver. Vamos lá?

Dica 1: Explore a locação

Um dos primeiros passos é entender o que você não quer que apareça em quadro.

Portas, corredores ou outros objetos podem não ser aquilo que você quer mostrar para o seu público. Depois de descobrir esse tipo de área, você vai ter uma noção mais clara de onde realmente quer gravar. Aqui é o momento de posicionar onde o entrevistado vai estar. Lembre-se de colocá-lo um tanto longe da parede de fundo para criar uma noção de espaço.

Dica 2: O posicionamento da câmera e enquadramento

Normalmente os entrevistados ficam muito bem em quadros em que a câmera está levemente mais baixa do que a linha dos olhos. Além disso, grandes entrevistas posicionam o entrevistado de maneira que ou ele olha da direita para esquerda, ou da esquerda para a direita. O quadro excessivamente centrado, nesse caso, não cria o “tom de conversa” que muitas vezes a entrevista exige.

O enquadramento é um dos fatores de maior importância dentro do que será gravado: se ele for grande demais, o entrevistado fica perdido no quadro. Se for muito pequeno, uma sensação mais claustrofóbica pode ser criada.

Então é interessante dar algum espaço para o enquadramento do entrevistado, algo como três ou quadro dedos de medida, só para que haja algum “teto” e você não acabe nem perdendo o entrevistado, nem cortando partes que precisariam estar em quadro.

Dica 3: A key light ou luz de ataque

Essa vai ser a luz principal e é ela quem mais vai iluminar o seu entrevistado. Já que estamos falando de um entrevistado um tanto deslocado, também é legal trabalhar com uma luz de ataque deslocada em uns 45 graus em relação ao rosto de quem está sendo entrevistado.

E para que ela não seja tão forte no rosto do entrevistado, um pouco de difusão pode ser interessante para que a luz fique um pouco mais suave e seja melhor distribuída.

Dica 4: A Backlight

A sua backlight deve ser simples: a utilidade dela é separar o seu entrevistado do fundo ou de quaisquer outras coisas que possam haver dentro do set.

Dica 5: Luz de Background

Essa é uma dica que, se bem pensada, faz toda diferença na sua entrevista: use alguma iluminação com gelatina da cor que mais se adequar ao tema e ao ambiente em que a sua entrevista está acontecendo. Ou ainda, trabalhe com texturas ao fundo.

Quando você ilumina com cores, você torna a entrevista um pouco mais leve e a deixa um pouco mais descontraída. Trabalhar com cores que apresentem certo contraste pode ser ainda mais enriquecedor para o seu conteúdo.

Dica 6: Uso de luzes auxiliares

A menos que sua entrevista tenha uma direção de arte já bem determinada e que não preveja um “cenário”, uma das formas de dar mais um toque artístico à sua entrevistas é usar “abajures” ou lâmpadas de filamento de LED de baixa intensidade.

A questão aqui é: criar um ambiente ainda melhor, visualmente falando, no qual esse tipo de iluminação colabore para o quadro, seja estando mais “embaçada” ao fundo ou como parte do cenário. Nada que algumas lâmpadas e um dimer não possam fazer.

Só não esqueça que essa dica é mais para construção visual da sua entrevista, e não para a iluminação dela. Não carregue demais com esse tipo de luz para que seu quadro não fique com muitos elementos distrativos.

Dica 7: Design de Set

Basicamente, se você está seguindo esse roteiro de dicas, você já sabe aquilo que você não quer que apareça no seu quadro. Então, o mais correto a se fazer é justamente remover tudo o que não deve aparecer a fim de eliminar o que pode roubar a atenção do espectador.

Uma das formas de reforçar a direção que você quer que esse espectador olhe é a partir de uma iluminação que privilegie o entrevistado em detrimento do meio no qual ele se encontra.

Dica 8: A segunda câmera

Por mais que estejamos falando tanto de construção do quadro e de deixar o máximo perfeito para uma câmera, é muito bom quando se trabalha uma entrevista com uma segunda câmera para o entrevistado.

Por quê? Ter dois tipos de imagem com o mesmo tema cria certo dinamismo — uma palavra que pode ser essencial no que se refere a entrevistas —, além de ajudar a pós-produção a cortar o material de maneira mais fácil, encaixando partes que são iguais em conteúdo, por exemplo, mas que tem pontos de vista diferentes — o que pode servir como um B-Roll, para trazer um quê de contexto ou ser a parte que une blocos que são diferentes na câmera principal.

Dica 9: O áudio

Claro que, quando se fala de entrevista, ainda que o visual seja muito importante, o áudio é uma parte que não pode ser deixada de lado. Quando se trata de uma entrevista, em que o foco é o entrevistado e, consequentemente, aquilo que ele fala, o áudio precisa estar impecável.

A dica para o áudio é montar um boom e apontá-lo para região do tórax do entrevistado, de modo que você ainda seja capaz de ouvir o que o entrevistado está dizendo mesmo que ele se incline ou se mexa um pouco do local que ele está — o que geralmente acontece.

Além disso, você pode isolar o som do ambiente com algum tecido para cobrir paredes ou espaços a fim de que o eco que eles geram envolta da área do seu entrevistado sejam reduzidos ou eliminados. Isso, com certeza, fará a diferença no áudio que você vai captar.

Dica 10: A conversa com seu entrevistado

Essa é…a parte principal da sua entrevista. É sempre importante ter em mente que o seu entrevistado precisa estar confortável com o que está sendo desenvolvido ali. Então quebre o gelo antes e deixe as coisas mais fluidas para que tudo ocorra de maneira mais natural.

Mas, uma vez que você está gravando, evite ao máximo interromper a fala do seu entrevistado.

Quando você interrompe, você acaba sobrepondo sua voz à do entrevistado, e isso é horrível de separar na pós, seja porque aquela era a parte final de uma linha de pensamento do entrevistado, e você acaba perdendo o bloco inteiro ou mesmo pela questão de não ser legal mesmo interromper quem você quer que tenha o destaque.

Outra coisa importante é fazer perguntas que permitam resposta com frases ou pensamento completos e que não se limitem a um “sim” ou “não”. Isso pode ser evitado com um pouco da dica 1: estude a pauta e tenha já algumas perguntas em mente. Preste atenção, também, ao que o entrevistado já disse, porque isso também vai te dar novas chances de perguntas que podem ser interessantes.

Entrevistas são uma parte importante dentro do audiovisual, principalmente por ser um formato que une várias partes da comunicação, em especial o jornalismo e a produção audiovisual: elas duas trabalhando juntas de maneira que a entrevista não seja pobre visualmente e se torne maçante e que não perca qualidade de conteúdo.

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Escritor e redator, formado em Rádio e Televisão pelo Complexo FIAM-FAAM, apaixonado por literatura e observador míope do espaço sideral.