Regras de montagem e edição – Parte I

Edição é o processo que une as diferentes cenas e gravações feitas durante a produção do seu filme ou vídeo. Mas a montagem varia de filme para filme, de acordo com o seu propósito e público.

O processo de edição é um dos processos mais conhecidos na pós-produção e é responsável por dar o sentido e a fluidez necessária para a história que está sendo desenvolvida.

Mas, cada obra apresenta uma necessidade diferente em relação ao público que pretende atingir, bem como qual mensagem será transmitida através daquele filme, pensando principalmente na montagem e nos cortes que serão tomados como guias para o processo de construção do seu conteúdo.

Ainda que a sua intenção dentro do seu filme seja “subverter as regras do audiovisual”, é interessante para o seu projeto que você conheça tais regras, para depois poder modificá-las segundo o seu propósito.

Filmes como Dunkirk (2017) apresentam uma montagem bastante personalizada, quebrando, algumas vezes, a linearidade da história. Porém, a edição toma cuidado para se tornar compreensível, ainda que ele mostre muitas frentes, de histórias diferentes.

É por isso que vamos apresentar hoje algumas regras dentro da edição que podem te ajudar no momento de editar as suas gravações.

Qual é o seu tipo de montagem

Montagem de Compilação

É o tipo de montagem que visa consolidar as informações, resumindo os fatos acontecidos.

Esse é aquele tipo de montagem que leva em consideração um “fio condutor” que vai estar presente durante toda narrativa.

Ele é muito utilizado em filmes institucionais, vídeos de marketing ou de divulgação de produtos ou serviços, vídeos de casamento e outros que precisem que a mensagem orbite um certo ponto.

A montagem de compilação tem um cuidado especial com a continuidade que será desenvolvida no filme, de maneira que todas as imagens mostradas tentaram seguir a condução da narrativa apresentada.

Montagem de Continuidade

É o tipo de montagem que leva em consideração a construção de uma ação através do corte entre os planos para que ela fique disposta de maneira fluida e contínua.

Esse é o tipo de montagem que exige muito cuidado, já que quando o foco é a continuidade, a mudança de olhar de uma personagem para outra, de posição de objetos ou de localização espacial do cenário pode acabar com a ilusão e a suspensão de descrença que esse tipo de montagem cria.

Em Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância), do diretor Alejandro González Iñárritu (2015), o foco na continuidade é um dos fatores que contribui para a suspensão de descrença do filme.

Qual é o seu tipo de corte?

Corte durante a ação

Um bom jeito de corrigir eventuais erros de continuidade durante a montagem é inserir o corte durante a ação, de maneira que o público estará mais focado naquilo que está sendo feito pela personagem do que no quadro como um todo.

Esse tipo de corte é bastante comum em sitcoms, como The Big Bang Theory (2007-2019)

Para fazer esse tipo de corte é necessário que o diretor de fotografia tenha feito a gravação dos dois enquadramentos, um mais aberto e um mais fechado, por exemplo, respeitando, também, um espaço de tempo antes e depois da ação, a fim de que o editor possa escolher o momento do corte ideal para que a continuidade não seja atrapalhada.

Corte em J e L

O corte em J e o corte em L são dois recursos que ajudam quem está editando em vista da continuidade dentro da sua montagem, já que esses cortes unem muito bem quadros diferentes usando o áudio como recurso para essa união.

J e L porque a disposição do áudio e vídeo na timeline lembrará essas letras, já que em uma (J) a linha do áudio começa antes do vídeo, formando uma espécie de J; e na outra, o vídeo pode começar antes do áudio, formando um L.

Um exemplo disso são as cenas de diálogo entre duas personagens, onde você continua escutando a voz de uma delas, mas o corte mostra a reação da outra.

Corte em paralelo

O corte em paralelo é um tipo de corte que visa comparar dois acontecimentos, independentemente de suas épocas ou ocasião, evidenciando o contraste entre dois pontos.

Esse tipo de corte é muito útil para construir a ideia de simultaneidade, isto é, que duas coisas estão acontecendo em tempos simultâneos, ainda que o filme, por uma impossibilidade física, não pode mostrá-los exatamente ao mesmo tempo.

Corte entre câmeras fixas e em movimento

A câmera em movimento é uma grande aliada para construção de uma narrativa fluida, porém o corte com esse tipo de técnica deve ter o cuidado de iniciar acompanhando o momento em que a câmera em movimento “ainda está fixa” e só ir para o corte seguinte quando esse movimento acabar.

Por isso é importante que a câmera em movimento tenha uma duração adequada para o ritmo proposto pelo filme. Isso exige que você pense sobre qual é o propósito daquele movimento dentro daquela cena – como a panorâmica da cena acima.

Entender bem essas regras pode ser um diferencial dentro da sua produção, criando destaque entre aquelas que se encontram disponíveis dentro do mercado.

A atenção com a disposição do seu tema, continuidade dos objetos e ações dos seus personagens, além do entendimento de público, são determinantes para a qualidade daquilo que você está se propondo a editar, principalmente em termos de mensagem a ser transmitida.

Além desses, há mais itens como consistência visual, alinhamento de olhar e outros tipos de corte que serão abordados em outra postagem com a parte dois desse texto.

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Escritor e redator, formado em Rádio e Televisão pelo Complexo FIAM-FAAM, apaixonado por literatura e observador míope do espaço sideral.