Novas regras do Oscar priorizam representatividade e inclusão

Confira quais são as novas regras de inclusão do Oscar para pessoas não brancas, mulheres, LGBTs, latinos e pessoas com deficiência.

Rafael Alessandro 6 anos atrás

Após anos de pedidos por mais diversidade na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelos Oscar, foram anunciadas novas regras que impactam a premiação a partir de 2022. O anúncio aconteceu no dia 8 de setembro, em uma publicação oficial no site do evento.

No meio do ano, também visando uma maior diversidade, a Academia já havia anunciado a inclusão de 819 novos membros. Desse número, 368 são mulheres, 294 são integrantes de minorias étnicas ou raciais e quase metade é composta por estrangeiros, como Mariana Oliva e Tiago Pavan, os brasileiros produtores de Democracia em Vertigem. A partir dessa inclusão, dos mais de 9 mil membros atuais da Academia, 33% são mulheres e 19% são membros não-brancos.

Agora, propondo uma maior visibilidade de pessoas não-brancas, mulheres, LGBTs, latinos e pessoas com deficiência nas produções que concorrem à estatueta de Melhor Filme, o Oscar anunciou quatro padrões que devem nortear as produções a partir de agora, na seleção de trabalhadores que atuarão na frente e atrás das câmeras. Quem quiser concorrer na categoria de Melhor Filme, deve atender a pelo menos duas dessas exigências:


Padrão A: representatividade de temas e narrativas na tela (1 de 3 critérios necessários)

  • A1) Pelo menos um dos atores principais ou coadjuvantes de destaque deve pertencer a uma etnia ou grupo racial pouco representado (asiático, latino/hispânico, negro, nativo-americano, norte-africano, nativo havaiano)
  • A2) Pelo menos 30% de todo o elenco em papéis secundários ou menores devem pertencer a dois grupos pouco representados (mulheres, grupos raciais ou étnicos, LGBTQI+, pessoas com deficiência física ou cognitiva)
  • A3) A história principal, tema ou narrativa deve ser centrada em um grupo pouco representado

Padrão B: Liderança criativa e equipe do projeto (1 de 3 critérios necessários)

  • B1) Pelo menos dois membros da liderança criativa e chefes de departamento – diretor de elenco, cinematógrafo, compositor, figurinista, diretor, editor, cabelereiro, maquiador, produtor, designer de produção, decorador de set, editor de som, supervisor de efeitos visuais, roteirista – devem pertencer a um grupo pouco representado e pelo menos uma posição deve pertencer a uma etnia ou grupo racial pouco representado.
  • B2) Pelo menos seis membros da equipe (com exceção de Produtor Associado) devem pertencer a um grupo pouco representado
  • B3) Pelo menos 30% da equipe técnica inteira deve pertencer a um grupo pouco representado

Padrão C: Acesso à Indústria e criação de oportunidades (os dois critérios são necessários)

  • C1) O produtor ou distribuidor do filme deve financiar aprendizado/estágio remunerado para pessoas de grupos pouco representados; grandes estúdios devem ter presença substancial de aprendizes/estagiários assalariados de grupos pouco representados na maior parte dos departamentos (desenvolvimento/pré-produção, produção presencial, pós-produção, música, efeitos visuais, aquisições, administração, distribuição, marketing e publicidade); estúdios pequenos e independentes devem ter pelo menos dois aprendizes/estagiários assalariados de grupos pouco representados (pelo menos um de um grupo étnico ou racial pouco representado) em pelo menos um dos departamentos
  • C2) A companhia responsável pela produção, distribuição e financiamento do filme deve oferecer oportunidades de emprego ou capacitação para pessoas de grupos pouco representados.

Padrão D: Desenvolvimento com o público

  • D1) O estúdio tem executivos sênior de grupos pouco representados (pelo menos um de um grupo étnico ou racial pouco representado) em suas equipes de marketing, publicidade e distribuição.

Para o crítico Pablo Villaça, essas medidas indicam um início para maior representatividade de minorias na premiação: “Estas regras vão gerar o xorôrô habitual por parte dos suspeitos habituais. E, claro, num mundo ideal não deveriam existir. Mas não estamos num mundo ideal e a maior representatividade de minorias tem que começar de algum modo - se não naturalmente, então impulsionada por regras. É claro que a Academia não pode obrigar nenhum produtor a seguir estas regras; no entanto, se ele quiser concorrer a um Oscar, deverá seguir os critérios da organização que o distribui. Certíssimo.”.


Referências

Academy establishes representation and inclusion standards for Oscars® eligibility Academia cria regras de representatividade para indicados ao Oscar Por mais diversidade no Oscar, Academia anuncia 819 novos membros, incluindo brasileiros

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