Som Diegético, Não Diegético e Meta Diegético

Existem diversos sons que compõem a banda sonora de um projeto audiovisual. Cada camada possui uma motivação e um significado emocional no contexto da obra e da diegése.

Sendo assim, podemos dividí-los de forma simplificada em 3 categorias:

Som Diegético:
Todos os sons presentes no universo ficcional em que se passa a ação. São aqueles que os personagens e público conseguem escutar. Além disso, o som diegético pode ser “on screen”, ou seja, quando vemos e/ou reconhecemos sua origem ou “off screen”, quando somos capazes de identificar que pertence ao universo em questão, mas não vemos em quadro. Esse último caso, por exemplo, é muito usado em filmes de suspense ou terror para desviar a atenção do público e criar tensão.

Som Não Diegético:
São os sons que só existem em uma instância narrativa, mas que os personagens não podem escutar, sendo esses de conhecimento somente do público. Um exemplo disso estão em diversas trilhas sonoras que não são justificadas por nenhum objeto em cena, como rádio, fone de ouvido, e também no uso de narração, sfx, etc.

Som Meta-Diegético:
Por fim, essa categoria refere-se aos sons subjetivos. O espectador é capaz de ouví-los, mas costuma entender que faz parte de uma pontualidade do psicológico do personagem ou de passagens que não trazem relações diretas com a verossimilhança.

Um fato importante de ser destacado é que muitas vezes um mesmo som permeia por essas categorias e seu julgamento passa a ser uma questão de interpretação. Nesse sentido, a análise é fundamentalmente pautada na motivação que o desenho de som propõe.

Na série “She’s Gotta Have It” (Netflix, S01, Ep01) há uma cena em que as personagens estão em um restaurante e ouvimos uma música de fundo junto aos demais sons, porém em momento algum é evidenciado a origem dessa música, como por exemplo, uma caixa de som instalada no teto. O que nos leva a interpretar que a música pertence ao espaço e que os personagens também são capazes de ouvir é a forma como a mesma se manifesta, misturando-se inclusive ao conceito de som ambiente (BG) que escrevi no artigo anterior.

Uma dica para conseguir tal resultado é utilizar equalizadores, responsável por filtrar frequências que deixem a música legível, automação de volume, visando tornar a presença da música verossímil aos demais sons e processamento de efeitos como reverb para espacializar o som.

No curso Introdução à Trilha Sonora há um capítulo em que analiso algumas situações do uso da música em diferentes situações diegéticas na mesma série.

Há também outro curso Case – Curta-metragem Uma Boa Pessoa em que esse assunto é abordado de forma prática através da edicão de som no Pro Tools.

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Airton Júnior

Professor de áudio no AvMakers, Airton iniciou os estudos de música aos 6 anos de idade. É formado pelo “Conservatório Musical Souza Lima” no Curso Dinâmico de Áudio e Bacharelado em Audiovisual pelo Senac. Como violonista já se apresentou em programas como o “Encontro com Fátima Bernardes” e do TEDx, além de canais do youtube de grande reconhecimento. Como produtor musical, operador de som e mixagem, atuou com diversos nomes muito importantes do cenário nacional.