Regras de montagem e edição – Parte II

Na última postagem nós falamos um pouco sobre alguns tipos de montagem e cortes que são regras dentro da sua edição. Na postagem de hoje, vamos falar sobre regras de planos e enquadramentos que também contribuem para sua produção.

Planos de estabelecimento

O plano de estabelecimento (também chamado Establishing Shot) é um plano que mostra a localização de um ato que está acontecendo.

Ele é aquele tipo de plano que introduz, de certa forma, o cenário de maneira mais geral, onde ocorre a ação, para depois mostrar a personagem ou as personagens em ações mais específicas.

Uma cena, então, que mostre, primeiramente, o exterior de uma casa para depois mostrar o seu interior usou de um plano de estabelecimento para localizar o espectador que é naquela casa que a história está se passando. Como em A Bela e a Fera (2017), na qual o castelo é retratado como estabelecimento para o que acontece lá dentro.

E o interessante desse recurso é que ele pode ser usado também para confundir o público, principalmente se você dá a entender algo num primeiro momento e depois revela a esse mesmo público que essa primeira ideia está errada.

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Como na cena da polícia invadindo a casa em O Silencio dos Inocentes (1991), em que tudo indica que o sequestrador foi encontrado pela polícia, quando isso, na verdade, não ocorreu.

Consistência visual

Lembra que a gente falou de regra de 180º aqui? Então, essa regra, associada a regra dos 30º são regras que fazem parte da consistência visual do seu filme e contribuem para que seu telespectador também se mantenha preso à história.

A regra dos 180º, por exemplo, dita a coerência espacial das personagens ajudando o espectador a se localizar dentro da cena; enquanto que a regra dos 30º contribui para a noção de fluidez da história e para que o seu corte não pareça simplesmente um pulo dentro da narrativa.

Alinhamento do olhar

O alinhamento do olhar é uma técnica que é muito utilizada para mostrar duas personagens interagindo ou se uma delas está olhando para alguma coisa.

Ela define que se em um plano você mostra a personagem olhando para algo, no plano seguinte você deve mostrar o que ela estava olhando, também a fim de localizar o seu espectador a respeito da interação e narrativa que está acontecendo no ambiente. Essa técnica é comumente vista ao utilizando plano e contraplano das personagens.

Isso acontece em Vingadores (2012) quando Dr. Banner, alter ego de Hulk, assume uma posição hostil ao grupo de heróis, enquanto dialoga. Ele toma o centro do vilão do filme inconscientemente, o que é percebido pelos outros personagens, ainda que para o público isso não fique claro até o momento em que é revelado o foco da tensão da cena.

Jump Cut e corte seco

O corte seco é qualquer corte entre um plano e outro sem qualquer tipo de transição.

O Jump Cut é um tipo de corte seco que é um “pulo” e que acaba não seguindo a regra dos 30º graus, indo de um plano mais aberto para um mais fechado, por exemplo.

O Jump Cut é o tipo de corte que mostra que houve uma intervenção por parte da edição naquele trecho e pode tirar um pouco da capacidade imersiva da história — principalmente quando se trata de um filme de ficção ou uma entrevista na qual a edição precisa ser a mais invisível possível.

Uma das exceções a essa regra são vídeos voltados para internet em que o jump cut já faz parte da gramática desse tipo de conteúdo.

É interessante lembrar que normalmente todas essas regras acontecem juntas dentro da sua produção audiovisual.

Por exemplo, se você vai contar a história de uma família na sua produção, você pode começar com um plano de estabelecimento da casa onde ela ocorre, situar a disposição do ambiente para seu espectador com a regra dos 180º, mostrar o que cada um deles está fazendo ou olhando e começar a interação das personagens com plano e contra plano.

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Escritor e redator, formado em Rádio e Televisão pelo Complexo FIAM-FAAM, apaixonado por literatura e observador míope do espaço sideral.