Por quê Filmmakers e Fotógrafos preferem usar luz mais suave

A importância de uma luz bem pensada vai além de só fazer ou não com que um objeto fique em evidência na câmera, mas fala sobre como a ambientação da sua cena se dará.

Em termos de distribuição, a luz suave é muito melhor para o rosto e corpo dos atores ou objetos gravados do que uma luz mais dura. Isso porque ela consegue difundir melhor sombras, atenuar locais mais escuros, além de fazer com que as bordas ou formas de certos objetos não fiquem tão evidentes, dando um ar mais natural àquilo que está sendo gravado. Todos esses são bons motivos que fazem com que filmmakers e fotógrafos prefiram uma luz mais suave.

No vídeo abaixo, Rubidium, do canal Crimson Engine, dá algumas dicas de como “medir” sua luz dentro do set a fim de obter resultados com luz mais suave. (Tem legenda disponível 😉 )

O que ocorre no “por trás das câmeras”

Se você assistir alguma gravação por trás das câmeras de grandes filmes de Hollywood, você vai ver difusores e outros equipamentos enormes que diretores de fotografia e outros profissionais da parte da imagem desses filmes usam para construir a ambientação da luz da cena. Não é incomum ver nessas gravações painéis de difusão de 6×6 metros.

O diretor de fotografia Roger Deakins, por exemplo, é famoso pelo seu “Cove Light”, que é uma peça com mais de 20 metros em um ambiente inteiro. Essa técnica cria justamente uma luz suave que envolve os objetos que são iluminados — normalmente o foco do diretor e uma de suas assinaturas.

Imagem do filme Foi Apenas um Sonho (2008 – Universal Pictures)

A relação entre luz, fonte e distância

E apesar desse tipo de luz ser a mais usada, não há uma medida real para o quão suave pode ser uma luz ou de como ter um nível correto dela, em termos de suavidade — o que mais ocorre é uma espécie de consenso sabendo o que é luz é a forma que ela se comporta.

Um aspecto interessante que deve ser lembrado é que

a suavidade da iluminação depende da fonte e é relativa à distância dessa fonte em relação ao objeto iluminado.

Uma forma de colocar isso de maneira prática é pensar que, se você está iluminando um ator, procurando enquadrar a cabeça e os ombros — o famoso “Primeiro Plano”—, em uma área de uns 60x60cm, o ideal é que você tenha uma fonte de luz de 60x60cm de área colocado em uma região próxima em 60cm do ator. A mesma ideia se repetiria para o caso de gravar duas pessoas conversando ao redor de uma mesa, numa área de 1x1m, o que leva você a ter uma fonte de luz de área igual separada 1m de distância da cena, e assim por diante.

Agora se você quer uma luz com diferentes graus de suavidade, brincar com a proporção que demos acima é uma boa pedida. Resultados mais suaves podem ser obtidos dobrando a distância em relação à área: se a área iluminada é de 1,5×1,5m, coloque a fonte de 1x1m à 2m e assim por diante.

A regra de ouro para iluminação

Esse fenômeno de área e distância se dá por conta da lei do inverso do quadrado, que se você não lembra das aulas de Física, a gente faz um resuminho: a intensidade da luz fica ¼ menor toda vez que você dobra a distância — e é por isso que iluminar de muito longe fica sendo uma tarefa bem difícil. É por isso que a maioria dos diretores e diretoras de fotografia fazem o máximo para manter a luz fora do frame, mas ainda perto da cena e com a maior área possível.

Intensidade é proporcional ao inverso da distância ao quadrado

Em Invencível (2014), Roger Deakins brincou com essa proporção, alugando 20 painéis de luz para conseguir iluminar de maneira suave as janelas de uma das cenas, colocando esses painéis a pouco mais de 12m de distância. Isso deu um ar mais naturalmente iluminado à cena, um dos objetivos da técnica de “Cove Light” do diretor.

Imagem do filme Invencível (2012 – Universal Pictures)

O uso dessa noção já é conhecido em fotografia há algum tempo, mas tem sido cada vez mais aplicado dentro do filmmaking em geral.

A aplicação

Os difusores de luz que podem ser encontrados em sets de filmagem não são, conteúdo, só uma tentativa de obter uma luz mais suave, mas são também uma forma de iluminar objetos grandes e manter alguma uniformidade na luz deles. A estrutura que Greig Frasier usou para iluminar as cenas de ataque à Bin Laden em A Hora Mais Escura (2012) era gigante; mas ainda era do tamanho necessário para iluminar um cenário e objetos específicos que acabavam seguindo a regrinha da proporcionalidade da luz.
Imagem do filme A Hora Mais Escura (2012 – Columbia Pictures)

Os planos feito em Close-ups, por exemplo, são fáceis de iluminar, já que você pode se aproximar com facilidade do objeto que vai ser gravado. Em compensação, planos mais abertos, como os feito em wide, acabam sendo mais difíceis de iluminar porque eles precisam de uma fonte grande e que fique fora do frame, o que requer um pouco mais de jogo de cintura do diretor ou diretora de fotografia. Takes em que há movimentação, então, precisam ser ainda melhor pensados: como a área que obrem é relativamente grande, a luz deve ser planejada para que não haja pontos em que ela é insuficiente para os propósitos estabelecidos pela Direção de Fotografia.

Fonte: Premium Beat (The Beat)

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Escritor e redator, formado em Rádio e Televisão pelo Complexo FIAM-FAAM, apaixonado por literatura e observador míope do espaço sideral.