Os filmes com as melhores montagens de 2017

A montagem cinematográfica é uma das etapas da pós-produção de um filme e consiste na organização de cenas para a formação de sequências. Podemos dizer que trata-se, de fato, de uma arte única e específica para as obras cinematográficas, responsável por dar o tom e a velocidade a uma narrativa. Em 2017 tivemos a oportunidade de assistir a obras incríveis, e hoje você conhecerá os filmes com melhor montagem deste ano.

Montar filmes é um aspecto tão importante da criação de clássicos que é celebrada anualmente com uma categoria no Oscar. Em 2017 competiram pelo prêmio A Qualquer Custo, A Chegada, Até o Último Homem, Moonlight: Sob a Luz do Luar e La La Land: Cantando Estações. Mas, para entender o que constitui uma boa montagem, precisamos revisitar os clássicos.

A Motion Picture Editor’s Guild, um tipo de sindicato americano dedicado aos editores de filmes, elencou em seu aniversário de 75 anos as melhores obras nessa categoria. Você acha que conhece os filmes com melhor montagem de todos os tempos?

Touro Indomável, Cidadão Kane, O Poderoso Chefão, O Encouraçado Potemkin e Amnésia são alguns deles. O traço compartilhado pelos principais filmes da lista é que as histórias de todos eles são muito bem costuradas – demonstrando um apreço pelos detalhes, onde até as menores coisas são levadas em consideração. O resultado é uma obra coerente.

Assim como em outras áreas específicas do Cinema, como o som e a fotografia, é muito mais fácil perceber uma montagem quando ela está mal executada. No momento em que cortes e transições se tornam praticamente imperceptíveis é que sabemos que os editores fizeram um bom trabalho.

Agora que você já conhece as características dos filmes com melhor montagem, podemos falar um pouco melhor sobre os grandes destaques de 2017. Confira, na lista abaixo, os grandes êxitos do ano.

Até o Último Homem

John Gilbert é um montador neozelandês que já recebeu algumas indicações ao Oscar da categoria pelo seu trabalho em Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Ele começou sua carreira trabalhando para o governo de seu país na The National Film Unit e trabalhou com diretores tão famosos quanto Sean McNamara e o animador Gábor Csupó.

Sua segunda obra indicada ao Oscar foi a vencedora em 2017, contra todas as previsões dos especialistas na área. Afinal, por mais que filmes de guerra dependa de uma boa montagem para conseguir contar sua história, é raro que eles sejam os maiores destaques da premiação. A quantidade de violência contida nessas películas costuma desagradar a Academia e deixar esses concorrentes para trás.

Entretanto, o trabalho de John Gilbert foi tão bem feito no longa que as cenas fortes criadas pelo diretor Mel Gibson conseguiram contar muito bem a história do herói americano interpretado por Andrew Garfield.

Baseado em fatos reais, o filme apresenta a história de um protagonista inusitado, que se recusava a carregar armas e a usar da violência, graças à sua religião. Ainda assim ele teve participação marcante na II Guerra Mundial e foi premiado com a Medalha de Honra.

Moonlight: Sob a Luz do Luar

Montado por Joi McMillon e Nat Sanders, Moonlight foi um dos grandes destaques do ano de 2017, protagonizando um dos momentos mais marcantes da premiação deste ano. Depois de ser nomeado para seis categorias durante o anúncio do prêmio de Melhor Filme, os apresentadores Faye Dunaway e Warren Beatty se confundiram e anunciaram La La Land em seu lugar.

O erro foi rapidamente corrigido por Jordan Horowitz e a cerimônia continuou como planejada. Mas além de ser um favorito para a categoria principal, Moonlight juntou uma grande torcida pelo Oscar de Melhor Montagem, especificamente graças ao trabalho de Joi.

Ela foi, afinal, a primeira montadora negra a ser indicada à premiação, que foi marcada pela inclusão depois de a edição de 2016 ter sido tão criticada. A maioria dos críticos concorda que Moonlight não chegaria onde chegou se não fosse o trabalho de seus montadores, responsáveis por cenas emblemáticas como a do jantar, incluída em seu terceiro ato.

La La Land: Cantando Estações

La La Land foi muito celebrado já em seu lançamento e isso aconteceu em grande parte devido ao trabalho de Tom Cross. O montador, que começou sua carreira no final da década de 1990, tanto nos filmes quanto na televisão, já foi premiado com a estatueta no passado. O filme Whiplash ganhou três estatuetas em 2014, incluindo a de Melhor Montagem.

Tom foi tido como favorito ao longo da disputa porque conseguiu retratar com muita naturalidade e fluidez a história de amor protagonizada por Ryan Gosling e Emma Stone. Um dos grandes destaques do seu trabalho aqui foi a conceitualização das transições, que permitem que o filme entregue de maneira surpreendente o amor entre o pianista de jazz Sebastian e a barista Mia.

Celebrado por seu roteiro, direção e atuações, La La Land não peca na entrega de uma montagem que contextualiza bem todos os seus números musicais. Podemos, em virtude desse resultado, esperar ver o trabalho de Tom Cross ser celebrado novamente pela Academia nos próximos anos.

A Chegada

Montado por Joe Walker, um grande editor de filmes britânico, esse filme trata sobre alienígenas que se instalam ao redor do mundo sem nenhum motivo evidente. Um filme recheado de mistério tem seu ponto alto na montagem de Joe, que consegue expressar muito bem todas as situações vividas por seus protagonistas e transparecer para nós suas sensações – muitas vezes bagunçando a linha do tempo do longa.

Joe já havia sido contemplado com o Oscar de Melhor Montagem em 2013, por seu trabalho marcante em 12 Anos de Escravidão. Mas é em A Chegada que ele consegue conduzir uma história bastante explorada por Hollywood – a de uma invasão alienígena – com nuances emocionais complexas.

O trabalho da montagem cinematográfica é muito importante e hoje você teve a oportunidade de entender melhor o porquê. Caso você consiga passar duas horas no cinema sem se perguntar, em momento algum, o motivo de estar vendo uma determinada cena ou por que algo aconteceu, é um bom sinal de que a montagem foi bem executada.

Os brasileiros de Hollywood se destacam no campo. Entre os filmes com melhor montagem de 2018, a obra Bingo, de Daniel Rezende, foi escolhida para buscar uma vaga pelo país na categoria. Conheça melhor o trabalho desse profissional, seus prêmios e conquistas nesse post que fizemos sobre ele!

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Estudante de Cinema, trabalha com produção e edição de vídeos.

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