Como eles fizeram um filme sobre o Facebook?

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Dez anos após o lançamento de The Social Network (2010), as redes sociais ainda são pauta do debate público. Agora, questionadas sobre o impacto que elas têm causado na vida dos usuários e até mesmo na democracia. The Social Dilemma (2020), recém estreado na Netflix, foi um dos responsáveis por reaquecer o assunto. No último mês, pesquisas de “desativar/excluir o Facebook” cresceram em 250% no Google.

Apesar disso, o Facebook se mantém no topo do ranking de redes sociais mais utilizadas, com mais de 2 bilhões de usuários ativos. E em 2010, a história de sua criação inspirou o roteirista Aaron Sorkin e o diretor David Fincher a transpor para as telas o início da carreira de sucesso de Mark Zuckerberg.

O filme foi indicado a 8 Oscar, vencendo nas categorias de melhor roteiro adaptado, melhor trilha sonora e melhor montagem. Mas, afinal, como eles fizeram um filme sobre o Facebook?

A produção teve três semanas de ensaios. Nessas reuniões com o elenco, o roteiro foi revisado minuciosamente, recebendo inclusive contribuições dos atores. Para Jesse Eisenberg, que interpreta Mark Zuckerberg, os ensaios foram importantes para que ele pudesse entender o que havia por trás das palavras do roteiro, quais eram as reais motivações de David Fincher e de Aaron Sorkin com aquele texto, e como isso poderia ajudá-lo a compor seu personagem.

Ainda nos ensaios, Jesse e Andrew Garfield (Eduardo Saverin) passavam horas conversando como se fossem os personagens, sem seguir o roteiro. Todo esse preparo do elenco ainda na pré-produção, ajuda a compor relações mais críveis e reais, já que parte do elenco nunca haviam trabalhado juntos, e nas telas precisam aparentar uma forte amizade.

Após os ensaios, todo o elenco passou pelo teste de figurino e maquiagem em frente às câmeras. Nessa etapa, a produção pode ter uma primeira materialização visual daqueles personagens, com suas principais roupas e acessórios. A colorização desse material primário levou em conta, inclusive, a concepção de Fincher com relação ao tratamento de cor do material final. Afinal, de acordo com o tratamento final da imagem, cores e tons podem variar – e muito – do objeto original.

As filmagens foram divididas entre Boston e Los Angeles, por uma única razão: as locações. Como parte do longa se passa em Harvard, foi mais viável para a produção realizar as gravações na própria universidade do que reconstruir parte dela em estúdio ou apostar no chroma key. O rio Charles River de Boston também foi utilizado nas gravações das cenas dos treinos de remo.

Um detalhe foi que a produção ultrapassou o limite de diárias que foram combinadas com a universidade, e realizou algumas gravações clandestinas. Além do risco de terem que interromper as filmagens caso fossem descobertos, nessas filmagens a equipe não contava com o acompanhamento dos seguranças do local – o que representava um alto risco, levando em conta o preço dos equipamentos utilizados nas gravações.

E apesar de ser um filme naturalista, com um registro direto dos personagens, a pós-produção também teve muito trabalho, principalmente nas cenas dos gêmeos Winklevoss. Apesar de Cameron e Tyler Winklevoss serem interpretados por Armie Hammer e Josh Pence, Josh teve seu rosto substituído pelo de Hammer com a ajuda da equipe de efeitos especiais. Mas essa alteração facial não diminuiu em nada o trabalho dos dois atores, que se prepararam por dez meses com um professor de atuação que desenvolveu em ambos padrões de movimentação e de fala idênticos, semelhantes aos que gêmeos reais possuem.

O processo de substituição do rosto de Josh pelo de Armie aconteceu em quatro etapas: rastrear o rosto do dublê, analisar os padrões de iluminação, reproduzir o mesmo padrão de luz em estúdio com um mecanismo de iluminação controlado por um computador e, por fim, projetar o novo rosto no material original.

Em determinadas cenas, Armie Hammer trabalhava em dobro: a mesma ação era repetida duas vezes, uma com ele no papel de Cameron e outra no papel de Tyler – e na pós-produção, os takes eram mesclados.

E se David Fincher é conhecido na indústria por repetir exaustivamente os mesmos takes até encontrar o perfeito, com esse filme não foi diferente. A cena de abertura, do diálogo de Mark com Erica, por exemplo, teve 99 takes. E, conhecendo o diretor, para a icônica cena em que Eduardo destrói o computador de Mark, a equipe preparou com antecedência dezenas de laptops pra serem quebrados.


Referências

Filmes:
A Rede Social (2010), dirigido por David Fincher
How Did They Ever Make a Movie of Facebook? (2011), dirigido por David Prior

Notícias:
Buscas por “excluir Facebook” crescem 250% após filme “O Dilema das Redes”

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