A importância da edição para os seus vídeos

Seja no cinema, TV ou internet, o que realmente prende nossa atenção em um vídeo é o storytelling. É o desenrolar da história e todos os elementos utilizados para contá-la que vai comandar nosso interesse no acontecimento final. Nos reconhecemos nos personagens, ficamos aflitos ou emocionados, e precisamos saber como irá terminar, como se estivéssemos inseridos na história e aquele fosse o enredo da nossa própria vida.

Independente da mídia, é a narrativa que seduz o espectador, junto com a carga dramática e a velocidade como ela se desenvolve, tudo isso forma um conjunto que constitui o formato de um vídeo. Mas para cada mídia, espectador ou tema, existe um ritmo de edição diferente. Um filme dramático não é montado na mesma velocidade que um filme de ação. O tempo entre um corte e outro, e também entre as cenas, muda assim como mudam as trilhas, o posicionamento das câmeras, enfim, toda a construção audiovisual envolve a linguagem.

Da mesma forma que vamos ao cinema dispostos a assistir uma história, também abrimos o YouTube para ver o que nosso Youtuber favorito publicou recentemente. Mas diferentemente do cinema, quando navegamos na internet não pretendemos ficar muito tempo vendo a mesma coisa, e sim buscamos, intencionalmente ou não, consumir o máximo de conteúdo possível em um espaço de tempo reduzido se comparado a um filme, por exemplo.

Levando isso em conta, é importante entender que a construção do storytelling (que nada mais é do que a forma como a história é contada) em um vídeo pro Youtube é diferente da construção pro cinema, mas isso não significa que um Youtuber não possa lançar seu canal com uma pegada cinematográfica em publicações de 15 minutos, por exemplo, pois a linguagem do canal e o tipo de público-alvo também influenciam na abordagem narrativa. O canal NomeGusta possui bons exemplos de vídeos com visual cinematográfico e de longa duração, se comparados ao padrão da plataforma, e ainda assim possui milhares de views e seguidores.

Porém, o padrão de edição para internet é o “Jump Cut”: usar e abusar da linguagem dinâmica e cortes rápidos entre as frases, tirando respiros que possam dispersar a atenção do telespectador.

A utilização de jump cuts na construção de vlogs foi uma das técnicas responsáveis pela estética do formato do audiovisual atual, tanto que muitas produtoras agora fazem uso deste recurso na montagem de comerciais pra TV.

Além do Nome Gusta, encontramos na internet diversos Youtubers que trabalham com formatos diferentes de construção do storytelling, cada um com sua própria linguagem, e esse cuidado é o que transforma um canal qualquer em um sucesso, como Gustavo Horn e suas esquetes animadíssimas; Canal Nostalgia, que graças a seus mini documentários entrou no 11º lugar do ranking de canais mais influentes de todo o Youtube; Você Sabia? e KondZilla, ocupando o 21º e 69º lugar do mesmo ranking respectivamente, o primeiro sobre curiosidades no estilo Discovery Channel e o segundo com clipes musicais muito bem produzidos por e para a periferia brasileira; Porta dos Fundos, que dispensa apresentações, entre diversos outros.

Um diferencial significativo da grande maioria dos canais de sucesso é a boa construção do vídeo, organização das cenas e ordem de apresentação dos fatos, que nem sempre é linear, mas vai preparando perfeitamente o caminho até o clímax e segurando o espectador até o final. Alguns ótimos exemplos são os vídeos do Casey Neistat, um renomado vlogger que, antes de mais nada, também é filmmaker e sabe construir boas histórias com perfeição, tanto que foi contratado por emissoras como CNN e HBO para criação de conteúdo audiovisual.

Editar um vídeo é como escrever uma redação: é preciso definir o objetivo, a estética, a quem se destina, e fazer a montagem seguindo esse briefing. Quanto mais personalidade se coloca na mensagem, maiores são as chances dela ser aprovada pelo público-alvo. Combinar a linguagem do canal com o ritmo, a dinâmica e alguns elementos próprios são pontos-chave para o êxito do produto final.

Como em toda profissão, o editor de vídeo também possui suas ferramentas, e algumas das técnicas mais comuns são:

  • O Jump-Cut, já citado anteriormente, que consiste em cortes secos que tornam o vídeo mais dinâmico;

  • Transições – artifícios gráficos ou filmados que ajudam na passagem entre cenas, troca de cenários ou lugares, como por exemplo pequenos takes da cidade ou do traslado para enfatizar passagem de tempo, ou um timelapse do por do sol;

  • B-roll – cenas de cobertura que complementam um raciocínio e servem para ilustrar o que está sendo dito, trazendo mais dinâmica ao vídeo;

  • Efeito Kuleshov – corte entre takes de significados distintos que, quando estão juntos, criam uma nova significação às cenas;

  • Objetivo / Narrativa – a forma de contar a história para que ela prenda a atenção do espectador do começo ao fim;

  • Softwares – são o ambiente virtual onde será feita a montagem das cenas. Dentre as diversas opções existentes no mercado profissional, destacam-se: o Final Cut Pro, para usuários de sistema operacional MAC (ótimo custo benefício, fácil de usar, com interface bonita e intuitiva); DaVinci Resolve, desenvolvido pela Black Magic, possui uma versão gratuita que é incrível, e é a melhor ferramenta para quem além de editar deseja fazer tratamento de cor com uma pegada cinematográfica; Premiere Pro, da Adobe, é o software de edição mais completo, com a vantagem de fazer comunicação direta com outros softwares também consagrados da Adobe e muito usados no dia a dia de edição, como o After Effects e o Photoshop.

Embora falemos sobre como a edição transforma um vídeo no Youtube, aprender a editar é importante como carreira profissional independente da área que se for seguir dentro do meio audiovisual, já que edição de vídeo está entre os trabalhos de maior ascensão na atualidade, conforme pesquisa do Cisco, que aponta o hábito de assistir vídeos como a terceira atividade mais executada hoje em dia, ficando atrás apenas de trabalhar e dormir.

O formato audiovisual está cada vez mais crescente no mercado de conteúdo online, então mesmo que você não se torne um grande produtor de conteúdo audiovisual independente, ou seja, que tenha seu próprio canal como fonte de renda, ainda poderá trabalhar para outros produtores de conteúdo no Youtube, ou para produtoras de conteúdo publicitário e outras mídias online, e inclusive para cinema e televisão.

Deixe seu comentário
Share

Coordenador de audiovisual. Trabalho com edição e pós produção. Adobe Certified Instructor em After Effects, Premiere, Illustrator, Lightroom, Photoshop, Video Specialist.

JUNTE-SE A MAIS DE 50.000 PROFISSIONAIS DE AUDIOVISUAL